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Monday, January 17, 2011

G€N€SIS: A NOVA VER$ÃO

   No início era a Verba e ela fez todas as coisas. Ela disse: faça-se luz e a luz fez-se. E ela viu  que a luz era boa e tratou logo logo de cobrar consumos e taxas. 
   Assim surgiu a primeira manhã e, logo de seguida, a primeira notificação de pagamento.  Foi o primeiro dia (de muitos mais que trariam ainda mais contas para pagar). 
   Depois, a  Verba disse: separem-se continentes e oceanos, para que eu possa lucrar com terras, salinas e águas fluviais. E os trabalhadores a recibos verdes assim fizeram. E todos  administradores destes departamentos viram que isso era muito bom (para a Verba e para eles próprios) e incluíram nos seus contratos cláusulas de rescisão com indemnizações milionárias. Foi o segundo dia e não houve registo de protestos. 
   A Verba disse ainda: que a terra produza verduras com sementes e frutos geneticamente manipulados, e que os animais sejam encharcados de hormonas de crescimento rápido. E todos eles, mais os produtores de hormonas, e criadores de gado, viram que tudo isso era muito bom para as respectivas carteiras. Foi o terceiro dia que, por sinal, provocou um surto de vómitos, cólicas e diarreias. Depois disso, todos se habituaram....
A Verba disse ainda mais: haja canais de televisão e jornais e internet, para que ninguém tenha de pensar demasiado. Foi o quarto dia e todos tiveram com que se entreter.
   Como não era capaz de se calar (ela sempre falou mais alto que todos) disse ainda a Verba: que as águas do mar sejam exploradas até  vertiginosas funduras, com sondas capazes de detectar petróleo e  outras riquezas.
   Que a terra seja esventrada para dela se extraírem minérios e fósseis, que o ar se povoe de satélites, drones e outros aparelhos espiões, pilotados ou não. 
   E os senhores das Indústrias militar & Espacial mais todos os outros, viram que tudo isto era muito bom. Foi o quinto dia e ainda poucos sabiam o que os esperava.
   Foi então que a Verba disse: façamos o homem à nossa semelhança. E assim, introduziu a sementinha da procura no útero da oferta. O homem que daí saiu é o que vemos hoje, a circular por aí: olhos e cara de procura, mãos, corpo ou intelecto de oferta. Foi o sexto dia
   
Ao sétimo dia diz-se que a Verba descansou. Que bom para ela pois nós, por cá, ainda não tivemos essa sorte...

Sunday, January 16, 2011

Top Secret: O segredo é o negócio dos sem alma

   Todos sabemos que o Poder é sempre questão de possuir informação e ocultá-la dos concorrentes directos. Isto para dizer que toda a gente compreenderia muito bem a fúria das entidades e indivíduos devassados pelas revelações da Wikileaks, se estes não fossem também, e desde há muito tempo, os grandes vasculhadores de vidas, negócios e segredos alheios.
   Se ouço um chefe de espiões clamar pelo direito à privacidade, obviamente só me posso rir. Se em vez disso for chefe de governo, idem. Quando se trata de um militar ibidem. E se for gente de GRANDES NEGÓCIOS, aspas. Todos eles estão, desde há muito, habituados a espreitar sem serem espreitados. É essa aliás, a receita dos respectivos sucessos.
   Portanto, quando reclamam privacidade para si próprios, não é um direito que reclamam mas o exclusivo privilégio  de poderem espiolhar sem serem espiolhados.
  Comportam-se como o VOYEUR que é apanhado em flagrante delito e ainda tem a suprema lata de se indignar com quem, por sua vez, o observava. Só que, este vociferado sermão acusatório, só conseguirá chamar a atenção do primeiro visionado e ainda de...outros voyeurs. 
Assim nos façam todos eles, o favor de continuar a gritar...

Saturday, January 15, 2011

Futeboys: Laranjas vs Rosas, enésima reedição do «Derby».

    Com frequência, ouvimos analistas/comentadores/jornalistas e  políticos referirem-se às disputas eleitorais utilizando jargão futebolístico. Terão uma certa razão, pois eu, que não sou fanático (muito pelo contrário) de nenhum dos desportos acima referidos, notei bastantes semelhanças, a saber:
   1- Todas as torcidas são iguais, até na convicção de serem diferentes. O discurso típico do torcedor é irracional e glosa sempre o tema  nós não somos assim tão maus porque os outros são muito piores (e aí debitam exemplos, que nunca faltam, em todos os casos...)
   2-Sócios e Adeptos não se incomodam muito com os buracos financeiros dos seus clubes, desde que isso lhes garanta...vitórias de Pirro.
   3- Os financiamentos , patrocínios ou sponsors, (como se prefira chamar-lhes) de uns e de outros são muito mais opacos e densos que o chumbo.
   4-Os sócios não são todos iguais: poucos tudo lucram, muitos algo lucram e a grande maioria arca com os prejuízos, tanto maiores quanto mais julga ter ganho.
   5- Vencem sempre os mesmos.
   6- As arbitragens (P.G.R., E.R.C., S.T.J., Imprensa e T.V.'s do Estado & respectivas sucursais, etc...) favorecem sempre os grandes, de preferência os que estão na mó de cima...
   7-Numa dada disputa, o mesmíssimo lance despoleta mais leituras e interpretações que as mais consagradas Obras-Primas, dependendo toda esta variedade só do clube de que se é adepto.
   8- E para não alongar ainda mais a lista (que tinha mangas e luvas para muito mais pano), o facto notável e nunca sequer disfarçado de muitos dirigentes de clubes serem comuns às duas modalidades.
   Apesar do que acima fica exposto, não creio que seja legítimo confundir as duas paixões. Acho mesmo que a comparação  pode ofender (os adeptos de futebol, do verdadeiro, que pensavam?).
   Bem vistas as coisas,  na sua grande maioria, pelo menos, estes amam mesmo o seu clube, com a assumida irracionalidade e desinteresse com que amariam alguém que tivesse os seus grandes defeitos mas...lhes fizesse subir a tensão (perdoem se há alguma consoante a mais na palavra em itálico).
   Já os outros adeptos, os da política, assemelham-se mais a bajuladores, que declaram ou aceitam amor aos (ou dos) vaidosos(as) endinheirados(as), por reles interesse material.       Infelizmente para muitos, quem gosta de «escoltas», prefere alguém com mais...qualificação profissional, para usar um termo muito em voga.
   Mas acima de tudo a comparação é injusta porque os adeptos do futebol, ao contrário dos outros, exigem mesmo vitórias e zangam-se a sério quando as não têm, sacando dos seus lencinhos brancos - como se diz que antes César apontava o solo com o  polegar -  não descansando até que role a cabeça do responsável pelos maus-tratos e humilhações sofridas pelo clube do seu coração . 
   Pensando bem, só esta diferença bastaria para distinguir as duas modalidades...

Tuesday, January 11, 2011

F.M.I.- Versão «Hard-Core» do Lupanar Portugal

   Volto ao tema, porque sei agora que a imagem do recreio escolar é fraca, para dar uma ideia do que vai ser a penetração do F.M.I. em Portugal. Desta vez, vou usar linguagem explícita, embora não ordinária, porque nunca é tão necessário manter um certo nível como quando se fala de baixezas. 
   A minha nova comparação é a seguinte: Portugal é uma pobre mulher, com muitos filhos, seduzida e rebaixada à condição de mulher pública, por uns tantos chulecos locais. É certo que todos eles lhe prometem tirá-la da situação em que a colocaram, mas nenhum faz mais do que explorá-la e partilhá-la com alguns dos seus...compinchas.
   Foi assim que, pela boca dos seus próprios protectores, ela teve de executar um incrível número de fellatios à máfia internacional de especuladores, com os resultados que se conhecem:  juros da dívida pública sempre a subir, impostos a subir, salários a descer, desemprego a subir, apesar de tantos «tangos», de tantas «tangas» e do trabalho de boca longamente «concertado» entre rosas e laranjas. 
   E assim, penetrada pela frente e pela boca, a desemparada mulher Portugal vê-se, agora, na eminência de ser sodomizada, sem vaselina, por alguns amigalhaços dos seus principais chulos,e ainda menos recomendável que eles, como se verifica nos seus curriculuns de declarados pedófilos, sempre prontos a abusar de pequenitos, mas incapazes de se meterem com gente do seu tamanho. (Porque não ajudam eles os EUA a sair da recessão,os  tarados?)
   Ainda há mesmo quem ache que a vinda do F.M.I. é boa notícia?. Se sim, então a Nação está bem...servida! .

P.S.: Como vêem, não sou dos que diz que todos os nossos comissários políticos são todos uns ladrões: Não sou assim tão redutor. O panorama é mais diversificado porque também há quem se dedique à contrafacção, à traficância, à extorsão, à chulice, à vigarice, ao branqueamento de capitais, à venda da Pátria (a grosso ou a retalho), etc, etc, etc...

Monday, January 10, 2011

FMI : O novo Prof. da Turma Portugal?

   Em conversas de recreio ouvi uns tantos miúdos entusiasmados falar da chegada de um tal prof. FMI. A expectativa era grande: que o novo docente iria pôr na ordem os indisciplinados, que controlaria melhor a turma e que (ingenuidade das ingenuidades), daria mesmo uns valentes puxões de orelhas aos meninos mal-comportados que andam a fazer mal as contas do BPN, do BPP, da dívida pública,etc,etc....
   Eu também gostaria que assim fosse mas, infelizmente, sei  que a vinda do novo Prof. será  mais  um castigo para todos do que uma lição para alguns. Quero dizer com isto que, os cabulões da Turma Portugal,  sem esforço nem mérito, continuarão a obter as melhores notas, a fazer bullying sobre os mais fracos, extraindo-lhes da carteira o dinheiro que se destinava ao almoço ou ao lanche, ameaçando-os sempre com mais pancada se não se calam.
   Por sua vez, o Prof. FMI implicará com os mais pequenos, ignorará as suas queixas, e continuará a permitir práticas de roubo e extorsão, na condição de os meliantes partilharem «algum» com ele. 
Boa notícia a vinda de mais um Prof? já não nos bastava o outro, e o que ele, com sua mania de infalibilidade nos fez? 

Saturday, January 8, 2011

Wikileaks:vai uma pastilha Rennie?

   Lê-se por aí que a  Wikileaks não tem a importância que «alguns» lhe andam a dar, pois só tem revelado coisas como a identidade secreta do Super-Homem ou a impotência sexual do Rato Mickey. Seria caso para deduzir que esta «malta» anda a ler muita B.D. de má qualidade e pouca informação relevante sobre o assunto mas tal conclusão seria puro engano porque, traindo o que lhes vai na alma, não raro no mesmo texto, os mesmos escribas falam de «terrorismo digital», «da justa punição de Assange e seus colaboradores» e até de «traição aos valores do Ocidente», o quer que isso seja.  
   E é então assim que ficamos a saber que, afinal, a duplicidade de Clark Kent e a vida íntima da Popota são segredos com potencial para ameaçar a resplandecente Civilização Ocidental (sic), como se as civilizações fossem vegetais cultivados no espaço limitado de um quadrante da rosa-dos-ventos. 
   Também é engraçado verificar (nunca me canso de os ler, os tipos são mesmo uma Legião de pândegos) que enquanto defendem o secretismo nesse mesmo quadrante Norte-Ocidental (o Sul do Planeta, para eles, não conta para nada), acusam a Wikileaks de «tendenciosa» por não falar da China do Irão e até do Sudão que, como se sabe, possui computadores vasculháveis a dar com um pau. Ora com pouco mais de um clique, qualquer Zé-dos-Anzóis descobre que não só isto é falso,  pois na Wikileaks há, de facto, notícias embaraçosas para os governos desses países  como ainda constata, perplexo, que os tais escribas esfregariam as mãos de contentes se pudessem esmiuçar tudo o que mais por aí acontece.
   De tudo isto se concluiu o seguinte (e diz-me tu, leitor, se estou errado):  que esta trupe deseja que China, Irão, Coreia do Norte e outros se convertam em democracias altamente escrutinadas, onde o povo seja, de facto, quem mais ordena, mas que no «Ocidente» se mantenha o secretismo indispensável à concretização de certos «negócios», (guerras e outras máfias incluídas). 
   Dedução lógica: se realmente consideram a Democracia um bem a defender, estes maduros desejam o  bem dos Asiáticos e o mal do Ocidente. São, portanto «Aziáticos» até às entranhas!!!. Vai uma pastilha Rennie?...

Declaração de desinteresse: Não sou discípulo de Assange, nem conheço o senhor de lado algum. Creio porém que, ainda que ele fosse o canalha que alguns asseguram (talvez o conheçam melhor do que eu, Ah, Ah. Ah,)  o que ele fez, já é Património da Humanidade. Das grandes metrópoles cosmoplitas aos  mais recônditos buracos deste torturado planeta, já milhões fizeram, ( e eu sou um deles), a  pedido próprio, sem qualquer pressão dele ou de outros, «down-loads» de milhares de documentos. A «epidemia» é imparável e altamente contagiosa...

Wednesday, January 5, 2011

Um pacto de silêncio

























Muitos ingénuos, acreditam piamente que quando a campanha presidencial estiver ao rubro, o «caso BPN» terá de ser revolvido até ao total e cabal esclarecimento das responsabilidades de cada um dos intervenientes. É uma extraordinária ilusão porque, embora andemos todos a «tapar», com os nossos magros recursos, um buraco cuja profundidade (por enquanto), ignoramos, nada é mais certo que o tema não será abordado senão pela rama pois se trata de mui incómoda matéria para os dois principais candidatos. Que são, recordo, representantes de dois partidos com enormes responsabilidades no caso. Pedir-lhes que esmiúcem um tema escaldante para ambos, é como pedir ao escorpião da fábula que não pique quem o ajuda a atravessar o rio. Ou pedir ao porco que não guinche na matança: não está nas suas naturezas obedecer a tanta expectativa. Este tipo de poder está habituado a decidir nas costas de todos, ser obedecido e reverenciado, jamais a explicar-se. Não é só no sector finaceiro que o Paradigma dominante tem de passar a ser outro. Caso contrário, é melhor chamar as coisas pelos nomes e concluir que afinal vivemos sob uma infame máfia politico-financeira, onde todos nos calamos quando o Padrinho manda....

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Viseu, Beira Alta, Portugal
autor satírico, cartoonista pseudónimo de António Gil, Poeta e Ficcionista, Não sectário, Agnóstico, Adepto Feroz da LIberdade de Imprensa e de Opinião...

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