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Monday, February 7, 2011

Futeboys: por Rolando Campos e Relvas

Dois casamentos, um loooongo noivado e um funeral


   A semana decorreu sem nada de inesperado: vitória dos clubes muito endividados, empate dos empatas de costume, derrotas dos que estão lá só mesmo para levar no pêlo porque não têm capacidade para enrolar os bancos com garantias ridículas. Mas eu tomei nota de algumas ocorrências que mais ninguém registou:

  Casamento um- David Luís & Chelsea- Depois de alguns lances (mais típicos de leilão que de futebol) o rapaz lá foi arrematado por irrecusável oferta. Sorte para os tutores que fizeram questão de receber o dote a pronto. Abramovich, lá abriu os cordões à sua abastada bolsa. Mas a felicidade da família é uma coisa, a dele outra. Falta saber se ele ser vai dar bem com os ares de Londres. É que, por aquelas bandas, aquele visual hippie está quase cinco décadas deslocado. Enfim nada que um bom barbeiro/cabeleireiro não resolva...

  Casamento dois- Benfica & Águia- Águia real morta, águia real posta: diz-se por aí que o Benfica arranjou OUTRA. O caso é TÃO SECRETO AINDA que ninguém sabe ainda como se chama a noiva. Aposto que não se chamará Empata. Ou Derrota. Mas não convém que os benfiquistas, nos seus vôos mais entusiasmantes de intimidade, a chamem pelo nome da outra, da Vitória. Ela decerto não gostará. E é de supor que Beckham também não...

  Noivado- Paulo Bento & Selecção Nacional- Diz.se que o pai da noiva está cheché de todo e ela não casa com ninguém sem o consentimento do patriarca que lhe administra (mal) os bens. Paulo Banto terá de esperar que se resolva o embróglio em que o velho fóssil está metido. Indeciso entre a UEFA e a F.P.F., o ancião tem tido brancas que podem vir a tornar-se negras para a selecção.
Esperemos que Paulo Bento mantenha uma certa tranquilidade que seja também a tranquilidade certa...

E agora o funeral:

  Como uma desgraça nunca vem só, depois do 3-3 com a Naval, os sportinguistas despediram-se do levezinho em pesado ambiente funerário. Eu próprio, insuspeito de sportinguices, fiquei quase lavado em lágrimas por ver tanto homem de barba rija e tanta mulher de bigode depilado chorar como bebés, pela partida do tal que resolvia e que agora resolveu... partir. 
  Isto depois de terem dito do pobre do treinador o que Bush, Blair, Barroso, Aznar, Berlusconni, Pacheco Pereira, José Manuel Fernandes e todos os judeus fundamentalistas juntos, não diriam do putativo líder da Al-Qaeda. É demais para um coração tenrinho como o meu .
  Mas como tudo o que é mau tem um lado bom, aqui vai uma observação que escapou à maioria dos nossos muito destatentos comentadores futebolísticos: A tranferência do passa-fome para o Corinthians prova que passámos a ser, de facto, uma potência do futebol mundial. Porquê? Porque até já começámos a exportar jogadores portugueses para o Brasil eh eh eh...

Sunday, February 6, 2011

G€N€SIS: A NOVA VER$ÃO (continuação)

4-  Para inaugurar o seu complexo turístico «O Paraíso» sem a indesejável presença dos trabalhadores que o construíram, o Deus Capital expulsou-os para Leste, deixando de guarda dois gorilas com armas de mira telescópica. Adamina e Ivan viveram algum tempo de relativa liberdade, apesar de alguma penúria. Como nem suspeitavam da existência de contraceptivos tiveram um rancho de filhos e as correspondentes arrelias, como por este episódio poderão imaginar:
   
Sete rapazes entre os catorze e os dois anos e sete raparigas entre os doze e os quatro. Parecem todos brincar à cabra cega, e efectivamente, há um garoto algo desgrenhado de punho no ar que tenta apanhar os outros...
- ah, se caço o tipo que me arrancou os olhos...
-...eu ‘izia-te se ‘u e ‘issesses ‘em me ‘ortou a ‘onta da ‘íngua...- respondeu um que estava bem escondido...
- diz tu primeiro que eu digo-te quem te cortou a ponta da língua...
- O ‘aim: foi o ‘aim que te a’ancou os olhos para ‘azer ‘ois ‘erlindes. A’ora iz-me: em me ortou a onta da íngua?
- Ah, a tua língua foi o lanche do Tarek, o nosso gato persa- disse muito orgulhosa Ebenmá.
Nisto aparece Adamina, furiosa com a garotada:
- Que é que se passa aqui?
- Mamã, o Caim arrancou-me os olhos.-queixou-se Jacomias
-E o Benfatias cortou a ponta da língua ao Fífias.- acusou logo Abébias.
-O quê? Pergunta a Mãe furiosa- Benfatias! Onde puseste a ponta da Língua de cortaste ao teu irmão??
- a Ebenmá deu-de lanche ao Gato – disseram os outros
-A sério? E ele, gostou?
- Lambeu-se todo- disse Ebenmá satisfeita...
- E esta? E pensar que tantas vezes nem sei que deitar ao gato...-considerou Adamina, num estado entre o pensativo e o maravilhado.
- E os meus olhos mãe? Se não fazes nada, eu seja ceguinho, se não me vingo...
- Qué que fizeste aos olhos do teu irmão, Caim? –perguntou a mãe passando-se da mona – não é que eles sirvam de nada, porque o teu irmão não vê com eles, mas...
- Essa agora- defendeu-se Caim- agora a culpa é minha, queres ver? Eu estava com os dedos abertos e perguntei: quem é capaz de acertar aqui com os olhos. E logo veio este mongo todo lampeiro e zás, quando dei por isso, lá estava eu com os dedos metidos nessa caixa craniana nojenta. Baaark (expressão de nojo)
- Nojento és tu ò seu palhaço- disse o ceguinho- ah mas vais pagar-mas
- A tua sorte é que eu não bato em ceguinhos, palerma!...
Nisto sai Ivan, o pai, olheiras fundas, da gruta onde dormia. Traz cara de poucos amigos...
- CHEGA!!! PÁREM JÁ!!! SERÁ QUE NÃO PODEMOS TER UM POUQUINHO DE SOSSEGO? UM DIA É PORQUE PARTEM PESCOÇOS, OUTRO PORQUE ARRANCAM OLHOS: ESTOU FARTO DE QUEZÍLIAS E DE QUEIXINHAS...
- E a onta da inha íngua?!?
- A ‘onta da ‘ua ‘íngua ‘omeu-a o ‘ato...responderam todos em estereofonia...


(a continuar no próximo Domingo)

Saturday, February 5, 2011

Theory and Practice of Conspiracy

   The biggest reason to believe in some theories of conspiracy.  
 History is full of practices of conspiracies. We don't need to take any civil
ization as evidence: we learned about so many conspiracies, in so many different places and times, some ending very bad for the plotters, others ending very bad for their targets. 
And why do we know this so well? because (if you exclude a few cultural and cientific conquests) History, the way we learned it, is  just about those facts.
Secret alliances on the back of a third party, treasons, revolts, bates, traps, secret relations and arrangements, all those stories of the History envolve a high degree of conspiracy. 
   So, conspiracy is not a hallucination of some dangerous minds. Conspiracy is not only a fact but the only relevant fact, when it comes to conquer or keep the power. We have been always ruled by conspirators. And we still are. And we'll be. Until the next successful  conspiracy, I mean. 



   A grande razão porque creio em algumas Teorias da Conspiração: A História que aprendemos está cheia de Práticas da Conspiração. Não precisamos de tomar nenhuma época ou civilização como exemplo: em todos os tempos, em todos os lugares floresceram mil tipos de conspirações sendo que, em muitas delas algo correu muito mal para o lado dos conspirados e pelo menos em tantas outras, tudo se terá selado com a desgraça dos seus alvos.
Portanto, falemos de alianças secretas para tramar uma terceira parte, iscos, traições, rebeliões, armadilhas ou guerras, estaremos sempre a falar de algo que envolve um elevado grau de conspiração. Logo, as Teorias da Conspiração não são produto de mentes alucinadas mas tomada de consciência de certos mecanismos que envolvem qualquer conquista ou manutenção do poder político. Sempre fomos governados por conspiradores. Ainda somos. E seremos. Pelo menos, até à próxima conspiração bem sucedida...

Friday, February 4, 2011

CONSULTÓRIO DO SEXO: Pela Dra. M. Gustava de los Placeres y Morales

Estimada Dra:

«...Diga-me, por favor se estou errada mas não compreendo a mania revisionista de confundir sexualidade e afectos. Eu sinto muita afecto pelo meu Frufru, que é um cãozinho de Champagne cinco estrelas, mas não tenho fantasias eróticas com ele. Em compensação, fantasio muito com homens que não conheço e pelos quais, como é óbvio, não nutro qualquer espécie de afecto.»

Doutora Dona Ana Montada, Duquesa de Sabdhala

Cara Doutora Dona: Você está certíssima: Se sexualidade e afectos não fossem coisas diferentes passávamos a vida a saltar para a cueca de amigos e todo o tipo de familiares, coisa que, como é óbvio, não se recomenda a ninguém. Você, cara Doutora Dona, não é uma mulher depravada, é só uma mulher vulgar, que necessita de títulos e outras futilidades para se impor numa sociedade que, claramente, você não entende.

sua Maria Gustava de los Placeres Y Morales

Pode ajudar-me Dra?

Sou um artista, heterossexual (convém sempre adiantar a orientação sexual, quando se fala de arte, ou moda, nos dias que correm). Tenho 37 anos e vivo em casa dos meus pais. Gostava de me dizer subsídio-dependente mas, infelizmente, ainda não cheguei lá. Os Secretários de Estado e Ministros da Cultura que lá estiveram antes eram todos mulherengos, foi difícil ser homem da cultura nesses tempos,...
O que interessa é que, pela primeira vez, com Canavilhas, tive um feeling!. Aquele ar de mulher arejada, aquela pose gótica, ou cyber-punk ou lá o que é!. Tive assim uma espécie de frisson...
Fiz projectos, escrevi-lhe cartas, expliquei tudo tintim por tintim. Pedi os respectivos financiamentos, claro. Nada!!! Nem uma resposta. Se o que sinto por ela é tão verdadeiro como é que ela...não me liga nenhuma?...

Harikrishnahari – sem endereço

R: Artista será, mas não na verdadeira acepção da palavra. Você é, sem dúvida, um miserável parasita!. Habituou-se a parasitar os seus pais e agora quer parasitar um povo inteiro por interposta ministra. Eu só não digo que você merece ser lapidado porque lapidar é uma operação cara que só se destina a valorizar os cristais! E você, meu pobre idiota, não é um cristal, é um pedaço de carvão!

sua Maria Gustava de los Placeres Y Morales

Devo chamá-la Dra?

Passo a explicar-me. Tive dois casos com duas sexólogas diferentes e garanto, a todos os leitores de blogosfrega que a sexologia é uma treta. Não é ciência nenhuma!. Elas não passavam de pobres frustradas. É como diz o provérbio: se sabes faz, se não sabes ensina...

Filipe Finório- Lisbécia

R: Coitadinho, foi para a cama com duas sexólogas e não gostou. Por sinal eu conheço ambas as profissionais em causa e, posso garantir-lhe, elas também não o acharam grande coisa. Quer que publique o que elas me disseram? Não? Então não me volte a chatear. Peça um lencinho à mamã, seu ranhoso...

sua Maria Gustava de los Placeres Y Morales

Thursday, February 3, 2011

Who's Afraid of Arab Democracy?

   Let's just imagine, for a while, two million persons in the streets of Teheran, claiming for the end of the Republic of the Ayatollahs...
   Which one of you could not, in that situation, guess the first pages of the most important newspapers, the headlines of most T.V. Channels, the comments of all the usual experts?
   Well, my friends, it's happening in Egipt. Not so charming? How can someone say that? it´s also a very old and a classical culture. Not so far? One more reason to care about a lot more. Not so problematic? Who decides that?.
   Above all reasons to pay attention to what´s happening there, (do i have to remember this?) the country has been under a severe dictatorship since the first day of independance.
   So, where is now all the old jolly enthusiasm of all our democrats? any street hero produced yet? Where are all the photos showing all the heróical resistence of the people? All the titles urging, claiming for CHANGE?
Don't take me wrong: we don't need any hysterical soundbites of the situation in Egipt but we certainly need reliable information. And that, we're not getting via tradicional media.
   Many of us are giving up newspapers and television, getting focused on the social nets, where the information is quicker and not edited by any «governamental censorship».
   Journalism without relevant news? It's pretty obvious that the new bosses of the tradicional media are on the good path to perform a beautiful hara-kiri...

All the best for the Egiptians and others in their claim for a better future.
Joaquim Silva

   

Façamos o seguinte exercício imaginário: dois milhões de pessoas, nas ruas de Teerão reclamando o fim da Repúbliuca dos Aiathollas.
   Qual de nós, naquela situação, não consegue imaginar as primeiras páginas dos jornais, os destaques nos canais generalistas de T.V., os comentários dos especialistas do costume?
   Bom, não está a acontecer no Irão mas sim no Egipto. Não é tão sedutor? Porque não? Trata-se de uma velha e clássica cultura. Não é tão longe? Mais uma razão para nos ocuparmos do assunto. Não é tão problemático? Mas quem decide isso?
   Se outras razões não existissem, bastava lembrarmo-nos deste facto: trata-se de uma Nação que, desde o primeiro dia da sua independência, vive sob ditadura.
   Onde está então o bom velho entusiasmo dos democratas de serviço? Não produziram ainda um único herói de rua? Onde as fotos da resistência popular? Onde os títulos e destaques reclamando, exigindo mudança?
   Não me interpretem mal: decerto não precisamos do ruído histérico em torno da situação egípcia. Mas precisamos de informação fiável e isso não nos tem sido dado pelos meios de comunicação tradicionais.
   Muitos de nós têm vindo a desistir da consulta de jornais e televisões, dedicando-nos, quase em exclusivo, à recolha de informações pela via das redes sociais, mais rápidas e menos «censuráveis» por forças externas.
   Jornalismo sem notícias? Parece-me que alguns patrões da nova imprensa andam a assobiar perto da sepultura...

   Votos dos maiores sucessos para a luta dos egípcios e de outros povos que reclamam o direito de tomar o futuro nas suas próprias mãos...

Joaquim Silva

Wednesday, February 2, 2011

Os «Razíadas»- canto 1º ; continuação...

por Luís Vaz de Cá (de Mões, grande terra Beiraltina que ele há-de, um dia, ajudar a pôr no mapa...)



16-E o inaugurador, tesoura já pronta
Emocionado avança para a fita
Seguro de empreender feito de monta
Sente a te(n)são subir, a turba aflita
e ei-lo que hesita: dará boa conta
da tesourada que se quer expedita?
- Um golpe dado assim com tantas calmas
Merece, sem dúvida, muitas palmas

17-Segue seu ritual, a inauguração
Procissão de ridículo folclore
Sem qualquer rasgo de imaginação,
Pobre no discurso, como no décor
Como na escolhida «grande atracção»
(Pelo menos à falta de melhor)
Cheiram todos a bolor e a mofo
E o que celebram é triste e é balofo

18-Febras e sardinhas, fumarada
Tudo regado com boa vinhaça
Ninguém pensa senão na tainada
E se houver desavença e arruaça
Tudo se compõe com mais 'ma rodada
É fácil de contentar, a populaça
Muitos copos e alguns petiscos:
E dispensam-se outros tipos d'iscos

19-E supondo, a turba, grátis a festa
Come e bebe, pois, à tripa-forra
Queixadas prontas, dentada lesta
Melhor é que de fartura se morra
Que de soez miséria ou moléstia
Um festim é suposto ser desforra
De tantas acumuladas fomes:
Ai de ti se não bebes e não comes

20- Transmissões de canais televisivos
Hão-de pôr em decúbito dorsal
Os tíbios, os silenciosos, os indecisos
( Que abundam por terras de Portugal)
Haverá celebrações, festas, risos
Um clima de euforia geral
No fim, há-de o tuga aguentar-se, à bronca
Consumindo e mandando pôr na conta...



(a continuar, às quartas-feiras)


Tuesday, February 1, 2011

Economia em autópsia: Por Esmeralda Preciosa da Cunha

   Para que não continuem a acusar Blogosfrega de sectarismo, aqui fica o contraditório pelo punho da economista Esmeralda Preciosa da Cunha (foi mesmo pelo punho: a senhora fez questão, talvez não goste de computadores, quem sabe?)

Um dos males deste País, é que as pessoas não querem trabalhar. Ainda agora, estive a observar, da minha janela, os tipos que andam a pôr asfalto na minha rua. Pois vocês acreditam que levaram cinco horas a asfaltar cerca de dez metros? Se não estivesse a vê-los, o tempo todo, eu não acreditava. Outro exemplo típico: as vendedoras das lojas de roupa. Quando eu lhes pergunto se não têm um número mais acima, elas olham para mim com cara de prisão de ventre e dizem-me logo, sem ir verificar: que lhe sirva, não me parece...
Dizem que há desemprego, mas que desemprego? Em todo o lado eu vejo letreiros: PRECISA-SE DE EMPREGADO nunca vi nenhum letreiro a dizer PRECISA-SE DE PATRÃO. Isto há-de significar alguma coisa ou não? E depois (não me venham com tretas), o tempo em que se tinha o privilégio de um emprego seguro, já lá vai. Eu, por exemplo, não tenho emprego nenhum e tenho de me contentar com uma mísera pensão de alimentos do meu Ex e ainda não morri. Antes gastava cinco mil por mês em roupa? Pois agora gasto só metade! Antes gastava dez mil em restaurantes? Agora faço dieta e só gasto seis mil! Todos temos que fazer sacrifícios, que Diabo! O meu próprio Ex, agora, também está desempregado e tem de se contentar com as suas quatro pensões! Não são só os pobres a fazer sacrifícios, gaita!!!

da sempre vossa: Esmeralda Preciosa da Cunha

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Viseu, Beira Alta, Portugal
autor satírico, cartoonista pseudónimo de António Gil, Poeta e Ficcionista, Não sectário, Agnóstico, Adepto Feroz da LIberdade de Imprensa e de Opinião...

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