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Tuesday, August 30, 2011

História Universal da Cuskice - pela Dra. Glória d'Anais de Guerra e Antas

Antes de avançarmos um pouco mais na HUC, queria aqui aclarar alguns conceitos importantes para que o leitor estivesse apto a compreender os capítulos seguintes. Começarei por esmiuçar os vários tipos de cuskice ou fofoca (para as amigas e amigos brasileiros). Aqui vai:

Cusquice doméstica: é aquela em que os membros de uma família aproveitam a ausência de um ou mais deles para falarem abertamente das coisas que o ausente nem sabe que sabem dele. Num ou noutro caso, os parentes podem mesmo falar de coisas que o ausente nem sabe de si próprio. A vítima deste tipo de cuskice é quase sempre o Pai, que é quem passa mais tempo fora de casa, e também aquele que pior aceita críticas directas. Raramente os irmãos de idades próximas necessitam de se alvejar na ausência uns dos outros: aqui, a modalidade favorita é mesmo o insulto cara a cara e olhos nos olhos...

Cuskice inter-doméstica: é aquela que se faz nos salões de chá, nos cafés, nas manicures, cabeleireiros, barbeiros e outras casas semi-públicas. As vítimas são geralmente sempre gente das relações dos envolvidos: colegas, amigos, vizinhos. Mas também se fala de alguns famosos, para dar um ar mais sério e credível à coisa. O objectivo dos cuskadores ou fofoqueiros é, como no caso anterior, deixar claro que a pessoa visada é uma criatura miserável,  indigna do convívio de gente decente, que são todos os que estão a ouvir as suas historietas com ar aprovador. É errado portanto pensar-se que o cusko conta episódios sórdidos da vida dos outros SÓ por querer elevar-se: ele também está a querer enterrar alguém, de preferência bem fundo!!!


Cuskice inter-regional: é a que implica um razoável tráfego de informações entre cidades ou até regiões geográficas. Graças a este tipo de cuskice, as pessoas de uma dada região podem rir-se do ridículo sotaque de outras regiões e imitá-lo nas anedotas, pois que cada um sabe, intimamente, que o sotaque da sua própria região não tem gracinha nenhuma. Juntamente com o sotaque, um parolo do norte tenta copiar também outros tiques de um parolo do sul (e vice-versa) para mostrar aos seus conterrâneos porque razão são todos abençoados por não terem nascido abaixo do rio Y ou acima do Deserto Z. 
Tem de se compreender esta necessidade de afirmação pois muita gente não tem mesmo mais nada para inferiorizar os outros nem para se gabar a si própria!!!


Cuskice internacional: A natureza desta forma de fofoquice é semelhante à forma anterior. Há todavia aqui uma diferença de escala e, de certa forma, de objectivo, pois enquanto naquela o pândego que cuska e maldiz só pretende achincalhar o seu concidadão, nesta pode visar ainda mais longe. Falo, é claro, dessa profissionalização da cuskice que é a espionagem. Todos o País poderoso que se preze (e mesmo alguns Países que pouco podem e nada se prezam) têm agentes disseminados pelo mundo, no claro e cristalino intuito de espiar os pontos fortes (para copiar) e fracos (para saber por onde atacar) dos Povos que são seus anfitriões.
Como sabemos, a maioria esmagadora das Guerras ocorreram entre Nações. Ocasionalmente, houve Guerras Civis. Mas uma guerra entre cidadãos do mesmo País, todos o dizem, é sempre muito mais terrível: porque todos sabem mais uns dos outros do que seria saudável. Sabem onde apanhar o inimigo a tomar café e onde surpreendê-lo a beber o seu copo! Sabem a que horas voltam os maridos enganados e a que horas saem de casa as mulheres entediadas! sabem as horas da refeição uns dos outros e como interrompê-las com uma saraivada de metralhadora, só para estragar o apetite do inimigo. Pior ainda: sabem quando são os jogos de futebol, que é quando o inimigo se concentra num espaço que às vezes parece concebido como uma ratoeira...

(continua na próxima semana)

Monday, August 29, 2011

Este livro que despejo por Antonio Aleijo




Sejam crentes ou ateus 
a todos aceito bem
desde que em nome de Deus
não se imponham a ninguém


não suporto presunção
nesses assuntos sagrados
passarão procuração
a tão mortais advogados


Deus, Deuses ou  Imortais?
se sim, meus senhores
cadê as credenciais?
se não, calem-se, estupores!!!


Pudesse esse Deus julgar-vos
por vossa terrena andança
haveria acusar-vos
de abuso de confiança


Queira a Deus que Deus exista
também tenho essa ânsia
baixaríeis bem a crista
pagando pela arrogância


Pelourinho da Batalha PÁGINA DE ORIGEM DA IMAGEM: http://onossopatrimonio.blogspot.com/2009_03_01_










Sunday, August 28, 2011

EVANGELHO SEGUNDO S. METEUROS: A INFÂNCIA de GIZAS CRISIS (G.C. prós amigos)

Naqueles tempos, vivendo o Reino Jádeu em sérias dificuldades, o Rei Erodes resolveu taxar todos os bens, depois de ter andado anos a fio a taxar só os pobrezinhos. Informado disso por um Anjo (assim se chamava o seu contacto no Mistério das Finanças), Jesó assim falou a Miraia:

- Mulher: trata de fazer as malas que eu vou ao banco transferir tudinho para um off-shore. Como aqui não deixo nem um tusto, temos de ir viver para lá, não vá também o Erodes deitar-me a unha por causa disto. Como lá devemos ficar sete anitos, vou precisar de pelo menos sete pares de peúgas e sete cuecas, que eu não sou obcecado pela limpeza mas também não quero cheirar pior que os outros...
E assim fizeram: em menos de meia-dúzia de horas, Miraia, Jesó e o pequeno G.C. estavam dali para fora.
Ah! levavam com eles um burro, por sinal chamado Polivalente pois fazia de tudo: cozinhava, dava o biberão ao crianço, mudava-lhe as fraldas, lavava a roupa, carregava com qualquer deles às costas, ajudava-os a sentar e muito mais coisas e fazia tudo isso sem salário e sem direito a vínculo, sem segurança social, sem qualquer direito!

*

A família passou uns anitos no Dáguito, paraíso fiscal de alguma alta finança, até que o mesmo Anjo mandou um email a Jesó dizendo: «podes vir pah: o Erodes já era! agora temos outro Erodes (falta de originalidade, a de quem dá os nomes aos nossos Reis) mas este protege os escroques como tu!»
E Jesó, que nunca se tinha adaptado àquela vida descansada mas inactiva e já começava a ter saudades dos seus negócios duvidosos, nem para trás olhou: é que no raio daquele País havia muita gente a querer «enrolar» os outros e eram muito poucos os outros que ainda se podiam enrolar!!!

*

Instalado com respectiva família numa santa terrinha de nome Razané, desde cedo o garoto deu nas vistas por opinar sobre tudo e sobre todos com a autoridade de quem reduz o mundo a uma monolítica visão baseada na economia. 
É assim que, com a idade de doze anos, o vamos encontrar entre accionistas, empresários, economistas e outros Místicos da Religião do Mercado. Bom, na verdade quem o vai encontrar é a sua Mãe, que já o procurava aflitinha por tudo o que era recanto:

- Ah estás aqui, ò grande maroto! e eu a imaginar os piores filmes sobre o que poderia ter-te sucedido!
-Ora Mã, tenha calma - responde impertubável o garoto - que mal me podia acontecer?
-Sei lá: caíres a um poço, seres atropelado por um carro de bois, seres crucificado...pode acontecer tanta coisa!
- Ufff! só isso, Mã? cheguei a ter medo: pensei logo em coisas como ser roubado, ir à falência, ver os meus bens rematados em leilão ou, ainda pior: descobrirem que eu tenho «inside information» que me permite saber quais as empresas que estão a «dar» e quais as que se vão afundar antes que o Aminejhad, que é o Diabo, pisque um de seus olhinhos pequeninos, tique aliás nele muito frequente! 
Os Doutores da Lei (isto é, a malta do carcanhol) muito se maravilharam por ver tal precocidade naquele fedelho que ainda nem acne tinha na cara: 'quem é este repolho que sabe mais destas coisas que o Grão Mestre da Nossa Ordem Oculta?'  perguntavam-se entre si! 
Perguntavam-se mas não tiveram resposta porque o G.C. já ia dali para fora, levado pelo braço pela mãe.
E este é o único episódio que se conhece dos tenros anos do Mexias, ou Profeta das Massas (as que sabemos). 
A partir daqui, vamos encontrá-lo já adulto mas sempre fazendo «milagres». E cada milagre...


(continua no próximo Domingo)


Saturday, August 27, 2011

Os Filmes Catástrofe por Sir Frankie Goethe Wally Wood

Catástrofe de filmes seria melhor designação para um género de ficção que sempre considerei um sucedâneo do masoquismo. 
Observar cidades e metrópoles familiares submersas por vagas desmesuradas, atingidas por meteoros que abrem gigantescas crateras, ver como os seres humanos, finalmente reduzidos à sua insignificância e impotência são trucidados por ciclones apocalípticos, por tremores de terra que abrem brechas com a imponência do Grand Canyon, por incêndios que fariam de qualquer inferno sobrenatural uma fogueirita risível, observar o formigueiro humano na sua desvairada busca de salvação, assistir ao caos em escala e intensidade nunca vistas, sabendo que no fim, uma ou talvez mais famílias de «eleitos» conseguirá, graças a quase sobrehumanas capacidades, o que milhões tentaram em vão: sobreviver!
É caso para dizer: aniquilaram (ainda que simbolicamente) grande parte da humanidade e a isso chamaram entretenimento! 
Consta que também assim acontecia, nesse velho Império que cedeu os seus símbolos ao actual: a Águia, o Senado, os poderosos Tribunais, a Moeda Universal. 
E creio que sempre sucedeu com uma certa classe de indivíduos que, tendo todas as necessidades (as básicas e até outras) asseguradas e até dupla folga (a do tempo e a do dinheiro ) para o lazer, descobrem horrorizados o vazio das suas vidas, o tédio, a lassidão, as fobias, as paranóias, as neuroses.
Um amigo (de um País que muitos considerariam do terceiro mundo) dizia-me, com certeira objectividade, que a sua Township era pobre mas que as pessoas que lá viviam eram mais felizes do que os ricos: os meninos brincavam na rua, os amores eram fáceis, a solidariedade entre as famílias não era palavra vã. Os ricos, dizia ele, viviam em condomínios fechados, criavam filhotes de aviário e eram todos castrados emocionais, ineptos para viver no planeta real, sempre com medo de serem roubados, violados, raptados, assassinados.
E é aqui que entra a minha explicação para o sucesso dos filmes catástrofe.
Considero que aquilo a que chamamos civilização pouco alterou o bicho-homem naquilo que ele tem de mais básico e instintivo. 
Pela coerção (das normas Religiosas, primeiro, hoje das normas Legais) os seres humanos reprimiram muitos dos seus instintos, de facto, mas não os eliminaram. 
Eles regressaram e, como seria de esperar, fizeram-no com a força torrencial de tudo o que é reprimido e impuseram-se aos cidadãos amolecidos, entediados, decadentes. 
Constatamo-lo todos os dias, nos meios urbanos, observando a sofreguidão com que pacatos transeuntes acorrem aos lugares de acidente, dificultando muitas vezes o trabalho dos paramédicos, dos bombeiros, das polícias e de outros agente em missão de socorro. 
Uma qualquer urgência ou febre de sangue parece apoderar-se desses rostos afogueados que perguntam, com mal disfarçada excitação, pelos mórbidos detalhes do acidente: como foi, que carros e quem esteve envolvido, de quem seria a culpa e um ou outro prognóstico sobre o estado das vítmas: aquele talvez se safe, o outro já nem respira, um terceiro ainda vai vivo mas já não terá hipótese de resistir até ao Hospital.
Tudo, ou quase tudo, gente que se diz crente na Religião da Paz e do Amor (designação que cada uma delas atribui a si própria) e que afinal obedece a Leis que nunca ninguém ousou escrever, com medo do que sucederia se «as pessoas» soubessem!
E o que seria assim tão perigoso que as pessoas soubessem? que somos animais? que temos instintos? que esses instintos podem ser contrariados mas que há sempre um alto preço a pagar por isso, pois eles voltam sempre, com a força avassaladora das grandes torrentes?
Sejam quais forem as respostas (não as tenho), quero recordar um velho provérbio inglês: sê cauteloso no que desejas pois às vezes os teus desejos podem tornar-se realidade!
Ora ainda há coisa de 10 anos, uma pequena catástrofe se abateu sobre uma cidade famosíssima, derrubando duas torres imponentes. Pouco depois, na sequência de um furacão que ficou célebre (Katrina), uma histórica cidade do Estado da Lousiana ficou praticamente submersa. 
Não foram catástrofes com a dimensão que nos habituámos a ver nas superproduções Holliwoodescas, mas qualquer um pressente que para quem as viveu, o impacto foi terrível! Decerto essas pobres pessoas não comeram pipocas nem beberam refrigerantes enquanto olhavam, num estado de quase transe, o próprio Armagedeão ...

Hoje, dia 26 de Agosto, o corredor mais povoado dos Estados Unidos (o litoral Nordeste) vai estar em Estado de Alerta por causa da passagem do Furacão Irene. Cerca de 50 milhões de pessoas podem vir a sofrer, com mais ou menos severidade. a força destrutiva destes ventos e descargas de água, que poderá culminar em Nova York. Oxalá tudo corra pelo melhor: se já nem na ficção suporto assitir a estas «façanhas» imagine-se o que odiaria ter de ouvir os idiotas de costume perorar sobre essa escória do cinema, classificando-os de «filmes proféticos»!

Friday, August 26, 2011

CONSULTÓRIO DO SEXO: Pela Dra. M. Gustava de los Placeres y Morales

Boa tarde jeitosinhas e jeitosinhos. Ora bem, malta marota de todas as idades, sexos e condições, onde íamos? ah sim, tínhamos ficado na letra E, em erecção, não é verdade? eh eh eh ficámos em erecção uma semana? (ok, ok, foi uma piada fácil, prossigamos).

Frigidez- Disfunção sexual caracterizada pela ausência de prazer feminino quando não mesmo pela dor ou pelo desconforto associados ao acto. Pode ter várias causas, algumas de ordem física outras de ordem psicológica. Das mulheres que a sofrem, algumas recusam terminantemente relações que envolvam penetração, outras, apesar do desconforto ou da dor, quais votantes partidocratas empedernidos, continuam a insistir no doloroso acto, quem sabe se à espera do milagre. 
As mais afoitas procuram ajuda médica (eu já tive algumas clientes destas e garanto-vos que as senhoras sofrem). 
As outras, arranjam-se como calha. 
Uma que eu conheço safa-se até muito bem e é feliz, mas nem todas têm a sua sorte: tem um namorado escolhido a dedo e parece que é mesmo bom desse dedo pelo qual foi escolhido!


«G» (ponto) - Está para os apaixonados do sexo (homens ou mulheres tanto faz) como o Santo Graal para os místicos: sabe-se que existe, não se sabe bem onde está e todas (ou quase) as buscas, além de infrutíferas, revelam-se arriscadas, que os genitais femininos não são nenhuma gruta pronta a ser devassada por investigadores mais ou menos ineptos! 
Às senhoras que, apesar de ignorarem o seu ponto G se sentem felizes com as sensações que experimentam, aconselho a borrifarem-se no assunto. 
Aos parceiros dessas senhoras, aconselho que, caso tentem descobri-lo, não dêem demasiada bandeira nessa busca. 
Às que não têm uma vida sexual satisfatória, antes de se angustiarem com a localização exacta do ponto G, que vejam bem se o parceiro anda a fazer o trabalho bem feito. 
E às que nem sabem o que isso é, digo que não se preocupem: durante milénios ninguém suspeitou da existência de tal ponto mas isso não impediu gerações e gerações de mulheres de gozarem a coisa, algumas quiçá até mais que tantas modernaças informadas!


Heterosexualidade: atributo dos indivíduos que se sentem sexualmente atraídos por pessoas do sexo complementar (não gosto da palavra oposto, que aqui não há governos nem oposições). 
Há quem considere esta como a única opção sexual normal, sugerindo que a outra, de que falaremos depois, é anti-natura. 
Bom, como eu já disse muitas vezes, já vi mais bicharada em actos manifestamente homossexuais (macacos, macacas, cães. bodes, gansos, you name it!) do que a casar por igreja de véu e grinalda e nem por isso os humanos, não tendo na natureza de quem copiar o casamento, deixam de cometer esse acto temerário e absolutamente anti-natura que é o matrimónio.
Respeitando quem pensa o contrário, acho que se Deus quisesse mesmo que nos casássemos tinha feito a coisa de tal maneira que ficaríamos impedidos do acto enquanto não disséssemos o tal «sim» na Igreja! 
Como nada disso acontece e é sempre possível praticar sexo, indepententemente de se ser casado, solteiro, viúvo ou divorciado, vejo nisso a confirmação que Deus não faz questão de nenhum tipo de  formalidade para consentir QUALQUER união que seja decidida pelos dois (ou mais) protagonistas!


Homosexualidade: atributo dos indivíduos que se sentem sexualmente atraídos por pessoas do mesmo sexo. Famosa desde a Antiguidade, só no tempo do Cristianismo passou a ser encarada como sério desvio às normas sexuais, sendo várias vezes associado ao bestialismo, ao satanismo e a outros ismos pouco simpáticos. Apesar disso, nem nas épocas em que foi mais perseguida, a homossexualidade desapareceu do mapa: há registos que comprovam que a adrenalina do risco e o gosto do pecaminoso só servia para apimentar ainda mais a coisa! 
AH: E Papas, bispos e padres homossexuais sempre abundaram nas instituições religiosas: de Bocaccio a Virgílio Ferreira, uma multidão de escritores o denunciou em suas biografias (Hugo Kauss, James Joyce, etc, etc...). 
Os últimos escândalos só confirmaram o que há séculos se sabia, portanto!

Thursday, August 25, 2011

As Famílias Intriguistas por Lilith Lovelace

As motivações para armar intrigas podem ser muitas e variadas: desde o medo, à ambição, uma panóplia de sentimentos ou desejos podem servir-lhes de combustível. Se as que são suscitadas pelo medo (de perder algo, alguém ou a própria vida) podem ter atenuantes ou até ser absolutamente desculpáveis, já as que são provocadas pela ambição apenas mostram duas coisas:
a)  incompetência - efectivamente, os adeptos da intriga só conhecem uma forma de subir na vida: afastando outros, porventura mais capazes, do seu caminho. Sempre ouvi dizer que tais pessoas não iam longe pois tarde ou cedo seriam desmascaradas e punidas. Durante muito tempo acreditei nisso, eu própria. Hoje, olhando para o actual panorama social tenho muitas dúvidas que assim seja: mesmo se desmascaradas, a partir de um certo ponto, as criaturas intriguistas tornam-se inimputáveis graças ao terror que inspiram.
b)  cobardia. - toda a intriga é cobarde porque realizada nas costas das respectivas vítimas. O intriguista nunca se atreve a denegrir ninguém na sua presença: espera o momento oportuno para libertar o seu veneno e se confrontado nunca admite coisa alguma!
Na velha Florença dos tempos áureos havia, pelos vistos, dois partidos rivais que alternavam no poder e dividiam os florentinos: os Guelfos e os Gibelinos.  Não há notícias de que uns fossem melhores do que outros, nem nos feitos nem nos métodos. 
Dentro de cada um dos partidos formavam-se por vezes facções (sobretudo quando estavam no poder, que na oposição havia relativa convergência de interesses). A forma de proceder de uns e de outros era idêntica: tomado o poder, degolavam os inimigos, assenhoreavam-se dos seus bens e davam «caça» aos que, logrando escapar, se refugiavam noutras cidades-estado italianas. Disto sabemos, graças a Dante Alighieri e a Maquiavel, entre outros. 
A forma que usavam para conspirar e alcançar o poder baseava-se, em larga medida, na intriga: fazer circular boatos que denegriam a imagem dos homens poderosos e suas famílias, na esperança de provocar rupturas entre o inimigo, era então a mais popular das formas de «propaganda»  utilizada. Daí veio a expressão «conspirações florentinas», que ainda hoje se utiliza para designar certos ambientes políticos. 
O que importa neste caso é que muitos foram bem sucedidos nas suas intrigas, alcançaram o poder e depois vieram a perdê-lo pelos mesmos processos. 
Muitos outros falharam nos seus propósitos e foram executados ou exilaram-se. Um muito reduzido número de indivíduos conseguiu os seus intentos e manteve o poder conquistado, recorrendo ao terror desenfreado e paralizador. Em todos os caso porém, estas lutas determinaram a decadência de Florença e fizeram-na cair sob o jugo estrangeiro. 
Isto porque a intriga é um veneno que não se limita a aniquilar as suas vítimas ou alvos:  os seus efeitos estendem-se muito para lá da vida do réptil peçonhento que o destila, corroendo o tecido social até não restarem senão criaturas desprezíveis, putrefatas, todas merecedoras ( a crer-se nas intrigas) do pior que lhes possa acontecer. 
Tal descrença nas pessoas e nas instituições arrasta, mais tarde ou mais cedo, um nihilismo vingador que não hesita em «entregar» a sociedade inteira nas mãos dos candidatos a carrasco, mesmo se eles são estrangeiros, pois o ódio aos inimigos torna-se mais forte do que o amor a uma cidade, a um país, e até aos amigos e familiares!
Foi isto que determinou a queda de Florença nas mãos de Charles de Valois que tomou a cidade sem oposição digna desse nome, o que motivou a Dante o desabafo segundo o qual Florença se tornara num «ninho de malícia» (nido de malícia Inferno XV, 78) , numa cidade «lacerada» pelos partidos, levando-o a afastar-se inclusive dos seus correlegionários (Dante pertencera à facção dos Brancos Guelfos) chamando-os de «companhia pérfida e estúpida» (compagnia malvagia e scempia).
E decerto não é por acaso  que o autor da Divina Comédia «encontra» todos os seus conterrâneos, (os do passado como os seus coevos), nos vários círculos do Inferno, ainda que muitos deles não sejam culpados de mais do que a trivial má-língua: ele sabia dos nefastos efeitos dessa peçonha e antevia a justa punição da sua cidade, não por forças sobrenaturais mas pelo simples efeito de algumas acções conjugadas de forma assaz terrena!
Como não será por acaso que o nono círculo do Inferno de Dante, o Cocito ou Inferno Gelado, é consagrado aos traidores, aos que para se vingarem do inimigo, puseram nas mãos de estranhos o destino da sua própria Pátria!
Possamos nós um dia, como Dante,  sair deste Inferno para voltar a ver as estrelas!



Tuesday, August 23, 2011

História Universal da Cuskice pela Dra. G.A.G.A.

Joaquim Silva: - Dra Glória, continuando a nossa interessante conversa: falámos da mulher e do homem mais cuskados da História humana (Cleópatra e Alexandre o Grande, ver episódios anteriores, publicados às Terças feiras). Falemos agora do (e da) mais cusco de sempre. Quem foram, na sua opinião?

Glória d'Anais de Guerra e Antas: quanto à mulher fala-se de Pandora e de Eva, ou seja, da própria Mãe da Humanidade, cuja cuskice nos condenou às coisas que sabemos. Quanto ao homem fala-se de Prometeu, de Sísifo, de Adão, ou seja: há mais candidatos à nossa paternidade, enquanto espécie, o que nos dá uma ideia sobre de quem somos filhos. 
Mas estas entidades são míticas, carecem de provas reais de existência. Já gente como Salomé, por exemplo, parece que existiu mesmo e que além de grande cuska e de menina mimada, sentia grande atracção por marginais. Ao que tudo indica, um dos seus hábitos era visitar os prisioneiros nas masmorras de seu Titio, um tal de Herodes Antipas. 
Aqueles torsos nús e suados dos prisioneiros fascinavam-na, farta como andava dos cortesãos efeminados do papá. Perdia de tal forma a cabeça que se esquecia da sua condição de Princesa e lhes pedia beijos e outras malandrices, enquanto tentava informar-se das acções que os tinham levado à condenação.  
Agradava-lhe vê-los arfar de desejo, privados como eles estavam, de qualquer contacto humano. Só os olhos febris deles no escuro, bastavam para a excitar. 
Ora um dia, cuskando a menina no Átrio dos Carcereiros, soube que um tal de Baptista fora apanhado a chamar nomes muito feios à sua mamã, só porque ela traiu o seu papá, um tal de Herodes Filipe, para se amigar com o titio, Herodes Antipas, Rei da Judeia, como se a mamã não tivesse o direito de procurar um melhor partido para si e um melhor futuro para ela, sua filha, vejam lá! 
Essa figura hirsuta fascinava a garina que estava naquela fase juvenil em que os garotos usam serpentes, caveiras, correntes, punhais, morcegos e teias de aranha, para melhor demarcarem a sua individualidade dos totós que usam corações, símbolos da Paz e arco-íris. Habituada como estava a ser obedecida, logo arranjou maneira de ser conduzida ao seu calabouço e de ser deixada a sós com o eremita. O resto da história é conhecido: tendo levado a primeira tampa da sua vida, ficou de tal forma furiosa que pediu a cabeça do Profeta depois de uma dança que o titio aplaudiu com entusiasmo.
E assim, pode dizer-se que João Baptista foi vítima de um coktail de cuskices: começando pela sua própria (tinha alguma coisa que publicamente falar da vida alheia, chamando nomes feios à senhora Herodíade?) continuando na cuskice de Salomé (que estava curiosíssima de conhecer o gang do marginal) e terminando na cuskice do próprio Herodes Antipas, mortinho que estava de conhecer os mais secretos desejos da sobrinha!
No fim, creio que todos saíram algo decepcionados disto tudo: João Baptista deve ter amaldiçoado a hora em que falou em voz alta do que todos tinham por hábito sussurrar, que poucos são assim tão tolos a ponto de desafiar o destino. Salomé, arrependeu-se de ter pedido aquela cabeça piolhosa num prato: mais valia ter pedido um harém de escravos que ela escolhesse a dedo, segundo os seus gostos e critérios pessoais. Sempre podia estar com eles no seu próprio Palácio, sem ter de suportar o cheiro nojento das masmorras. E Herodes Antipas percebeu que já lá ia o tempo em que as meninas, quando ele se oferecia, agarravam a oportunidade com as duas mãos, a boca e o que mais tivessem para o «prender»!...

J.S.- Muito estranha toda essa história mas de facto é mais ou menos assim que ela nos chega narrada. Daqui se depreende, Dra. Glória que nem sempre a cuskice traz bons resultados...

Dra.GAGA- Claro que não, Joaquim: existe algo, neste mundo, que não tenha de acabar mal? a Cuskice pode dar algum prazer momentâneo ao indivíduo A ou B, mas no fim será sempre prejudicial ao alfabeto inteiro! Porque a sua maior glória (a da cuskice) é destruir o que ajudou a construir. Pela cuskice se constroem os mitos e pela cuskice se destroem os heróis que esses mitos pareciam perpetuar. Há quem viva desse duplo movimento: as revistas e outro material de fofoquice: erguem, à custa de intermináveis cuskices, os mitos que os leitores querem idolatrar. Quando pressentem que a personagem já não «rende», descobrem-lhe a careca e derrubam-na. Assim ganham das duas vezes: ao construir o mito e ao destruí-lo!!!

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Viseu, Beira Alta, Portugal
autor satírico, cartoonista pseudónimo de António Gil, Poeta e Ficcionista, Não sectário, Agnóstico, Adepto Feroz da LIberdade de Imprensa e de Opinião...

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