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Wednesday, January 26, 2011

Socialismos bochechudos

        Ouve-se por aí dizer, com alguma frequência, que o socialismo já exerceu poder, em vários locais, em diversas épocas e que, em resultado disso, a sociedade se tornou mais débil, desigual e securitária. Não tenciono fazer tese alguma sobre o assunto mas parece-me que, se um verdadeiro socialista alguma vez tivesse chegado ao poder, eu já teria dado por isso.
   É um lugar comum dizer-se que, nos anos oitenta, um certo líder meteu o socialismo na gaveta. É falso, pela simples razão que ninguém pode meter numa gaveta algo que não tem.    Quando muito, poderia ter lá posto outras coisas, menos abstractas . 
   Preocupado com uma solução dinástica para o seu partido (na linha do glorioso Kim-Il-Sun), o Anafado jamais dedicou tempo algum a questões que só dizem respeito aos servos da gleba. Para comprová-lo não precisamos de fazer processos de intenções: os anos dourados do badocha trouxeram apertos para os mais pobres (quem não se lembra dos pacotes, erquivalentes dos actuais PEC's?), cargas policiais sobre trabalhadores em protesto, salários em atraso e mais uma vaga de emigração não especializada.
   Por terem dado conta disto, os líderes que lhe sucederam, tentaram empunhar a velha bandeira dos princípios socialistas, com mais ou menos convicção, consoante a conveniência do momento. Falharam todos, por razões diversas: Um já não tinha idade para brincar às birras universitárias, outro era demasiado beato, um terceiro tinha amigos com tendências esquisitas, ou assim nos quiseram fazer crer. 
   Exceptuando alguns momentos de fúnebre comemoração, já nem da palavra se lembravam: nos aniversários da república e do vinte e cinco de Abril, vi sempre serem depositadas coroas de flores enquanto se falava de valores republicanos, de laicidade e socialismo. Isto sempre me deu a ideia que aquela gente, através daqueles grosseiros rituais, estava a enterrar, com muita (encenada) emoção e muito (mau) gosto, as suas supostas convicções .
    Quanto ao actual líder, há quem suponha que ele retirou o socialismo da tal Gaveta onde o outro o deixara, para o guardar em lugar muito muito seu. E que o meteu lá, nesse sítio onde não corre o risco de apanhar sol. Dizem que é por isso que a palavra socialismo já começou a cheirar mal...

Tuesday, January 25, 2011

Chuchas e Chochos: A LOTA continua!

   O pretenso triunfo da abstenção - dizem os comentadores/peixeiros do regime - é uma vitória de Pirro. Discordo, porque duvido que os abstencionistas se sintam sequer vitoriosos. Mas, já agora, recordo que Pirro foi um general grego que, no declínio da sua civilização, logrou deter, por pouco tempo, a ascenção de Roma. A sua vitória numa das mais sangrentas batalhas que travou, custou-lhe a vida de tantos soldados que, em desespero, o homem terá desabafado: Mais uma vitória destas e estou perdido.
   Isto para sublinhar que o curso da História não se detém diante de nenhuma vitória, por gloriosa que seja. Sovaco ganhou, de facto, as Presidenciais. Teve tudo para fazê-lo: financiamentos, boa imprensa, alguns sectores «católicos» e toda a malta alérgica a tendências canhotas. Mas perdeu meio milhão de marinheiros. As hostes laranjas exultam e, no seu delírio, salivam ao pensar que se avizinham tempos de ajustar contas com o odiado Navio Pirata do Inginheiro Zé Escrocas.
   E é aqui que pasmo de surpresa pois já tínhamos este Capitão a bordo há cinco anos, e entretanto, as manobras do P.M. foram tantos que Sovaco teve mil e uma oportunidades de afundar o flibusteiro. Porque se espera que acorde do seu longo sono agora? Haverá ainda prícipe encantado que o beije?!?
   Por outro lado, os Chuchalistas, desorientados e divididos, temem o momento de se verem apeados do leme porque sabem que os aguarda uma longa travessia de mar encapelado pela considerável tormenta. Escrocas sovaquizou o seu navio a tal ponto que os Chuchalistas, se forem tão lentinhos como os Chocho-Democratas, ainda vão levar tempo a «pescar».
   Se Sovaco esturricou todos os timoneiros laranjas que lhe sucederam (prepara-te Coelho, vais ser o próximo a ser grelhado!), é natural que, por mimetismo, o Inginheiro faça o mesmo com os seus sucessores. Até porque como poucos parecem ter notado, Laranjas e Rosas seguem a mesma cartilha que faz dos seus interesses e apetites próprios, os grandes timoneiros de seus miseráveis navios de arrastão...

Monday, January 24, 2011

OS «RAZÍADAS» por Luís Vaz de Cá (Mões, Beira Alta, continuação)



11 - Ouvi: e vereis com que chãs manhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas
Enriquecem à custa de patranhas,
Cliques, claques e empresas duvidosas,
Tesas pra impostos, rijas pr’às campanhas
Patrocinando laranjas, subsidiando rosas:
Os tais que concessionam águas e ar
E chamam ao negócio, governar...

12 - (Já por todos os meios chegarão
As inquietas notícias saudando
Os milhões qu’em breve soprarão
Diários, os cofres privados inchando
De dinheiro em primeira mão
Mil candidaturas demandando
O maná da céé que em grandes flocos
Caindo sempre irá, nos mesmos bolsos

13 - Falar-se-á muito de investimento,
De infra-estruturas, de contínua formação,
Multiplicar-se-á o contentamento
Pl’o potencial de proxenetização
Do subsídio, em raro assentimento
Patrões e sindicais em concertação
Na mesma gamela, saciarão o apetite
Que no caso nacional, não tem limite

14 - Falar-se-á de oásis e pelotões da frente
E da Europa em velocidade de cruzeiro
E uma pretensa classe emergente
Comandada por um grande timoneiro
C.C.B., Expo, Gare do oriente
Vasco da Gama, metro no Terreiro
Desertificação do país rural?
E daí? Viram bem a capital?)

15-E pois que o homem luso, mansamente
Com escândalos e futebóis entretido
Ao que importa, será ainda indiferente
E ao que exporta não dá algum sentido
Fará por merecer o seu pífio presidente
E o desgoverno por ele consentido
Quando se dá por bem explicado
Com a cena da sina, do triste fado...

Sunday, January 23, 2011

£IVRO 1 : GÉN€SI$ (continuação)


       Depois do repouso, o Deus CAPITAL conduziu Adamina e Ivan a um lugar que era banhado por quatro rios muito poluídos e disse-lhes:
    - Eis o Jardim que vos vou arrendar a preço de amigo...
    - Jardim?- exclamou Adamina horrorizada- mas isto está ainda mais sujo que a gruta do Ivan, antes de me ter conhecido. E olha que ele suja mesmo muito...
    - Será um jardim, ò delambida, quando tu e o calaceirão do teu Ivan meterem mãos à obra. E se acharem o trabalho excessivo para quatro braços, façam filharada, que é para isso que servem as zonas de lazer do vosso corpo. Mão de obra é sempre benvinda, e se for em excesso, melhor para mim.
E antes que eles pudessem protestar mais, leu-lhes logo a cartilha:
    - Só por causa da resmunguice, ides viver em contentores. Trabalhareis de sol a sol, como pagamento de alojamento e alimentação. Comereis apenas os frutos cujas árvores estejam assinaladas com as iniciais M.I. (mercado interno). Os frutos das árvores assinaladas com E, destinam-se a exportação. Ai de vós se vos vejo a dar uma trinca que seja, nessa fruta. Notai que eu tudo observo, pois montei um eficaz sistema de video-vigilância...
Dito isto, puff!!! desapareceu para um off-shore tropical, onde este Deus tanto gosta de descansar, deixando Ivan e Adamina deveras confusos.
    - Adamina, tu que tens muito mais patuá que eu, percebeste alguma coisa do que ele disse?
    - Achas? O que ele disse, para mim, é estrangeiro.
    - Oh Diabo!!! acho que não tivemos sorte com o deus que nos calhou- constatou Ivan deveras preocupado...


(a continuar em próximas edições)

Saturday, January 22, 2011

os Tabús do Soba



   Do muito que já se disse e escreveu, neste bantustão, sobre a personalidade do Soba Sovaco Cilva, a opinião que mais me diverte é a que refere a sua competência tecnocratica. Este homem que nos via no pelotão da frente da Europa estava então no pelotão da frente dos que traçaram o rumo do País. E dizia-se que percebia de economia. Imaginem como seria se não percebesse!.
   O senhor Barracuda, marido da mesma dona Guidinha que inspirou este blog, nunca cursou economia mas é um competente merceeiro, pois jamais empresta, fia ou passa um cheque sem exigir garantias e tomar nota dos números envolvidos. O mesmo não se pode dizer do doutor Sovaco, que não guardou um único papelito dos dinheiros que andou a distribuir.
   Embora ele hoje se diga avesso aos subsídeodependentes, no seu tempo «outorgou», generosa e alegremente, a fundo perdido, uns tantos milhões a uma inominável clique de criaturas que tratou logo de se aboletar com casa e carro próprio. Há, nas saudades que muitos têm desse tempo, o perfume desse dinheiro «ganho» sem esforço nem mérito.
   Foi durante o seu reinado absoluto que o país se começou a transformar num imenso bordel à disposição dos barões laranjas, rosas, pepês e até arrependidos de extrema esquerda A culpa não terá sido inteiramente sua, dirão os idiotas inúteis. Estarão a perder tempo porque eu nunca quis atribuir a Sovaco a exclusividade da culpa; apenas a esmagadora parte dela.
  Prova definitiva que o doutor Sovaco nunca deveria ter ocupado lugares de responsabilidade no aparelho do estado é a sua persistente necessidade de se esconder atrás de um silêncio que ele chama de Tabú. O que levará um homem que já é avô e que já leva uma década de século vinte e um, a falar de tabús?.
  De certa forma, acreditar em tabús é hoje mais desprestigiante do que acreditar no Pai Natal ou no Coelhinho da Páscoa que, enfim, sempre fazem parte de um imaginário infantilóide mas modernaço.
  É claro que cada um pode acreditar no que bem entende, mas todos sabemos que convém não falar muito disso em público, porque as pessoas gozam. Ora a palavra tabú, presta-se a muita gozação, porque rima com palavras engraçadas como baú, cajú, chuchu e até Marilu.   Mas também é fácil confundir Tabu com perfume rasca.
  E acima de tudo mostra nula sofisticação intelectual posto que tabús são característicos de sociedades que atravessam ainda a Idade do calhau mal polido ou, para as civilizações que não conheciam o uso da pedra, a Idade do cavaco mal esgalhado. 

Thursday, January 20, 2011

OS «RAZÍADAS»:: continuação de uma (triste) epopeia

6-E vós ò mal parida segurança
Da lusitana velha autoridade
Que a si mesmo assegura abastança
Ao bom povo só dando austeridade
Zeladores do crescimento da pança
Própria, e da alheia honestidade
Vos que assim rugis, ameaçando
quem vosso naco anda rondando

7-E também vós, ò novo galho florescente
Da Silva, da corrupção a mais amada
Que qualquer outra espinhosa no Ocidente
Da América ou da Europa chamada:
Em que outro lugar, entre que gente
Se viu tanta verba embolsada
Por clientes, compadres e amigos
(assim se afundaram os fundos perdidos)

8-Vós, ò eleitos, em cujo Império
‘té o Sol é de quem o apanhar primeiro
ignorai as vaias e o impropério
da ralé que vos sustem no poleiro
mas dai ouvidos e levai a sério
as avisos do gestor e do banqueiro
serão deles, em caso de eleição
os cheques que vos livram de aflição

9-Inquinai a pompa sem majestade
Que nesse obsceno gesto vos contemplo
Que se mostra já desde tenra idade
No gosto p’lo chinfrim e p’lo espavento
Pousai os olhos na dura realidade
E, reflectindo só por um momento
Perguntai-vos se pode uma nação livre
Sustentar gente do vosso calibre.

10-Vereis o clamor da pátria, produzido
Por milhões de gargantas em sintonia
Que vil prémio é ser-se conhecido
Súbdito de uma tal dita-cracia
Ouvi: o vosso nome é escarnecido
Em cada cidade, em cada freguesia
O bom povo colabora co'a farsa
Mas cada vez vos acha menos graça




Wednesday, January 19, 2011

os ‘Razíadas’ por Luís de Cá , Mões (Beira Alta)

Canto primeiro (tu cantas depois, tá?)

1-As áreas e os talhões assinalados
Que, pela habitual laia lusitana
Engenheiros à pressa licenciados
Ocuparam de tralha suburbana
Com truques e esquemas forçados
Mais do que concede a lata humana
E em áreas protegidas edificaram
Coisas que 'té o Demo já chocaram

2-E também as memórias manhosas
Daqueles moinas que foram dilatando
A má-fé, o déficit, as contas viciosas
Os subsídios que andaram devastando
E aqueles que por obras mafiosas
De leis e impostos se vão libertando,
Calhando, empalharei por toda a parte
Se a eles me levar pontaria e arte

3-Calem-se do espanhol e do italiano
A fama de goelas bem abertas
Afogue-se do gringo ou do germano
O ímpeto emborcado das canecas
Que eu canto o pato-bravo Lusitano
Cujo caroço assusta, e pede meças:
Nem mais um pio, pintores da manta
Que voz mais grossa agora se levanta ...

4-Ah e vós, cidadãos por acidente
Do país da Europa, mais extremado
onde já luxo é, ser-se doente
e desastre estar-se acamado
vereis, acaso, poder no Ocidente
Central ou Periférico chamado
quem assim trate a sua gente?
(nalguns casos, nem ao gado)

5-Ah, dai-me uma voz alta e venenosa
Não de pífio apito ou pífaro maçudo
Mas de trombone soprado por poderosa
Boca, dai-me um furor linguarudo
de maior fundura que a famosa
Garganta que escandalizou o mundo
Que eu cá tratarei de pôr em verso
O que fede, é feio e é perverso...

(a continuar em futuras edições...) 

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Viseu, Beira Alta, Portugal
autor satírico, cartoonista pseudónimo de António Gil, Poeta e Ficcionista, Não sectário, Agnóstico, Adepto Feroz da LIberdade de Imprensa e de Opinião...

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