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Tuesday, May 10, 2011

História Universal da Cuskice - pela Dra. Glória d'Anais de Guerra e Antas

Resumo dos capítulos anteriores, com citação das fontes.

Presume-se que caçando gafanhotos aqui, britando nozes acolá, os primeiros macacos pelados tenham vivido como foi calhando, às vezes ao sol, às vezes à chuva (pelo menos até a importante descoberta que foi a sombra das árvores), às vezes na abundância, às vezes na penúria, consoante os lugares e as estações, às vezes sós, às vezes mal acasalados. 
Fósseis trazidos à luz do dia, no continente que já então estava longe de ter sido virgem, levaram uma equipa de vários especialistas chefiada pela Primatóloga Dra. SISSI MIESCA, a estabelecer, com alguma segurança, que estes semi-primatas possuíam cordas vocais em tudo idênticas às dos humanos actuais, o que significa, em termos práticos, que já dispunham de notável capacidade de atazanar os vizinhos. 
Várias manifestações de Pintura Rupestre colocam em lugar de evidência esse talento (social, por natureza) que consiste em saber como moer o juízo do próximo. A atestá-lo, gravuras encontradas nas GALERIAS dos GRUNHOS, mostram-nos um grupo de homens fugindo de igual número de mulheres que, mãos em concha, parecem exigir a comparência dos machos na lavagem das cabaças e dos crânios (que então serviam de pratos e malgas). 
Num outro fresco, agora no maciço montanhoso de OKEDESCIDA, um grupo de indivíduos, em pirilau, corre atrás de uma moça estilizada, mas tão estilizada que nada nos permite concluir se a rapariga merece mesmo tanto entusiasmo. 
Já nos fabulosos painéis de VELATU, um extraordinário desenho mostra uma mão ameaçadoramente aberta ao lado de um veado morto, naquilo que constituiu decerto um expressivo aviso do tipo: ‘tocas na minha comida, sai chapada’. 
Vestígios mais recentes deixaram antever porém uma sociedade mais sofisticada do que inicialmente se imaginaria, não só pela complexidade da distribuição social do trabalho e dos seus frutos (uns caçavam, outros apanhavam frutos, uns terceiros cozinhavam e uma pequena minoria comia quase tudo), como ainda pelo PATUÁ, língua comum sem a qual, bem vistas as coisas, não haveria quem ameaçasse e menos ainda quem obedecesse. 
A julgar pelos túmulos encontrados na região de DELASCAR, estes povos enterravam os seus cadáveres na posição que mais jeito desse, aproveitando para, no mesmo ensejo, se livraram de todo o tipo de bugigangas que fossem consideradas fora de uso, bem como restos de comida dos dias de festança que antecediam e sucediam o funeral, hábito que se prestaria, de futuro, à errónea interpretação de um irrealista culto dos mortos. 
Embora alguns especialistas, como o doutor SEIA TODINHA, actual conservador do MUMIAM MUSEUM defendam que, dado o atraso em que viviam, é possível que estes nossos antepassados já acreditassem nalguma patranha de cariz religioso, no que é suportado pelo descobridor das ruínas de AKATA KUMBA, o famoso espeleologista DR. TOCAZOLÉU, outros, como o prestigiado Arqueólogo OSSOZI CACUS, discordam desta perspectiva, fazendo notar que, à época, a reconhecida ausência de moeda corrente desencorajaria qualquer putativo candidato a sacerdote. 
Assim, concluiu o sábio, após árdua investigação, a grande razão pelo qual os primitivos enterravam os seus mortos tem sobretudo a ver com o cheiro incomodativo que reconhecidamente os defuntos sempre exalam quando insepultos. 
Na mesma linha de argumentação, o seu colega de especialidade Doutor CAVU K. KOMO, afirma que a descoberta de favas cozidas com pedaços de chouriço, junto à cripta de AKATA-KUMBA, em lugar de nos dar indicações sobre a dieta dos ABÉCULAS, vem apenas provar que o estômago do Doutor TOCAZ-OLÉU já não aguenta grandes comezainas antes de realizar escavações importantes. 
Na opinião do Dr. COPY-PASTE (laureado por tudo quanto é ou quer ser universidade em GLOBALDEIA), a partir de certa altura, conflitos de vária ordem terão levado à cisão do grande grupo em pequenos núcleos de reduzida dimensão, num contínuo processo de dissidências. 
Forçados a procurar o seu espaço vital, grupelhos com um número decrescente de indivíduos se terão assim afastado do território de Origem e do PATUÁ, a língua comum. Ainda segundo esta escola de pensamento, o posterior surgimento de tribos, com línguas, religiões e culturas diferenciadas, deveu-se aos condicionalismos locais que cada grupo humano encontrou no território que escolheu viver, não sendo, por isso, de estranhar que os BEBILÓNIOS, produtores de uma bebida fermentada com maior teor etílico, depressa se tenham esquecido das palavras do PATUÁ de origem, ao contrário de outros, instalados em locais mais afastados da Terra-Mãe. 
Quanto aos ritos de iniciação e às celebrações destes humanóides, o Doutor ZAP, famoso antropólogo, inclina-se a admitir que dependiam, em largas medida, da fartura do momento: em anos que não sobrasse tempo para encontrar o que meter à boca, ninguém pensava em festas mas, em anos de abundância festejavam-se princípios, meios e fins de equinócios e solstícios e, se o ano fosse mesmo de muita fartura, inventava-se, relacionada com o quotidiano dos trogloditas de então, uma qualquer razão não muito diversa das que ainda hoje se invocam: o aniversário de um deles, a vitória no campeonato de caça deste ou daquele energúmeno, o nascimento de um ou outro semi-macaquito. 
Uma plausível justificação para a diáspora que disseminou a espécie pelo globo reside nas características deste hominídeo: a conhecida incapacidade que os primitivos bem como os seus descendentes parecem ter demonstrado, desde sempre, em se aturarem uns aos outros... 

1 comment:

  1. ...ora não há que comentar, com uma investigação de gente tão cotada na sociedade e afins!! Este famoso trabalho de investigação não deixa margem de dúvidas quanto ao estilo de vida destes primitivos!!!!
    Quando voltar a parir vou escolher estes nomes...!!!

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Viseu, Beira Alta, Portugal
autor satírico, cartoonista pseudónimo de António Gil, Poeta e Ficcionista, Não sectário, Agnóstico, Adepto Feroz da LIberdade de Imprensa e de Opinião...

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